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O que é ser vegetariano?
Um vegetariano é alguém que não come carne. O termo carne significa a ‘carne’ de qualquer ser vivo: carne vermelha, carne de aves, de peixes, de mariscos, de bivalves, etc. Deste modo, os vegetarianos consomem todos os produtos de origem vegetal, bem como alguns sub-produtos de origem animal (que não impliquem a morte e/ou o sofrimento do animal produtor): leite, queijo, iogurte, ovos, mel, etc.



Existem vários tipos de vegetarianismo?
No seio da população vegetariana foram surgindo tendências que originaram a formação de grupos de indivíduos com hábitos alimentares e modos de vida diversos:
Ovo-lacto-vegetarianismo – É, talvez, a forma mais comum de vegetarianismo: a opção por consumir apenas produtos vegetais, ovos e lacticínios;

Lacto-vegetarianismo - Variante da primeira, em que os ovos são excluídos;

Vegetalianismo/Veganismo - Opção por não consumir/usar produtos de origem animal, evitando-se até o mel, a lã, a seda, os curtumes, etc.



O que é a cozinha BIO?
Os alimentos biológicos são cultivados/obtidos sem recurso a fertilizantes e/ou produtos obtidos por processos químicos sintéticos, evitando-se a exploração massiva/agressiva e respeitando-se mais os animais e o ambiente. Os produtos de origem biológica podem ser animais ou vegetais.



Existem outros estilos alimentares (para além dos já descritos)?
Podemos mencionar ainda:
Crudivorismo – para além de não serem consumidos produtos de origem animal, os alimentos não são cozidos: nada pode ser preparado ao fogo, de modo a evitar-se a perda de nutrientes. Não quer dizer que se comam apenas alimentos crus: existem processos de preparação que não causam essa perda de nutrientes, como a desidratação e a cozedura abaixo dos 48ºC, ponto a partir do qual as enzimas dos vegetais começam a ser destruídas. Inclui diversos ingredientes, nomeadamente frutos frescos e secos (hidratados), vegetais, sementes, grãos germinados e algas (ricos em enzimas e outros nutrientes).

Frugivorismo - é uma dieta à base de frutas cruas ou cozidas. Esta dieta não oferece contradições em nenhum dos aspectos que normalmente se têm em conta numa alimentação mais saudável, como sejam: ético, moral, religioso, ecológico, medicinal e nutricional. Baseia-se no princípio de que as frutas são uma dádiva da natureza e constituem o tipo de alimento mais perfeito para o homem. As frutas estão em perfeita harmonia com o organismo, permitindo atingir um ideal construtivo e não-ofensivo, já que não precisamos de roubar a vida nenhum animal ou planta. A alimentação à base de frutas, pelas suas características fisiológicas, não exige grandes esforços digestivos.

Macrobiótica - a dieta macrobiótica tem princípios que datam de mais de 4.000 anos. É um sistema empírico: a sua base foi a experimentação e a análise minuciosa. Considera-se que Ekiken Kaibara (1630 a 1716) foi o pai da macrobiótica. O seu fundador moderno foi Sagen Ishizuka (1850 a 1910), médico japonês que ensinou essa arte a Sakurazawa Nyoti (conhecido no ocidente como George Ohsawa). Foi George Ohsawa (1893 a 1966) que, após a Primeira Guerra Mundial, passou a difundir essa filosofia de vida por todos os continentes. Seus adeptos comem basicamente cereais integrais e legumes e, em menor quantidade, frutas e, até, carne e peixe. Os alimentos dividem-se em dois grupos, de acordo com sua energia: yin e yang. A ideia base é dosear os alimentos dos dois grupos de modo a obter um equilíbrio energético e, consequentemente, prolongar a saúde do corpo e do espírito.



Quais são as razões para ser vegetariano?
Razões religiosas ou éticas: respeito por regras religiosas, respeito pela vida animal, filosofia da não-violência, preocupação com o sofrimento animal (geralmente associado às explorações agro-pecuárias massivas e aos processos envolvidos), etc.
Razões dietéticas: melhoria dos níveis de saúde, problemas do colesterol, falta de fibras, etc.
Razões ambientais: se os terrenos de pasto (para alimentar animais para abate), fossem dedicados à cultura de vegetais, as terras alimentariam proporcionalmente mais seres humanos do que a carne dos animais alimentados a partir desses pastos. Desse modo, não seria necessário desflorestar tantos terrenos (como acontece, por exemplo, na Amazónia).
Razões económicas: a carne é mais cara!



É mesmo preciso deixar de comer carne?
As mudanças não precisam de ser bruscas, embora para certo tipo de pessoas possa parecer mais fácil tomar decisões radicais. Para os que não desejam tornar-se totalmente vegetarianos, comer carne três vezes por semana poderá ser suficiente para satisfazer os seus apetites.
Na nossa sociedade, onde reina a abundância, comer carne a todas as refeições tornou-se um hábito, especialmente no pós-guerra (2ª grande guerra). Em consequência, surgiram diversas complicações de saúde: excesso de colesterol, deficiência de fibras, falta de vitaminas e de minerais, obesidade, etc.

Alguns factos históricos acerca do vegetarianismo?
O vegetarianismo já era prática comum no sub-continente Indiano no século II antes de Cristo. De acordo com os textos Hindus, o vegetarianismo é a dieta ideal para o progresso espiritual. Por seu turno, o Jainismo exorta os seus seguidores a serem vegetarianos. Os monges Budistas da escola Mahayana também vêm praticando (pelo menos desde o ano 100 depois de Cristo) o vegetarianismo.

Na Europa, os primeiros vegetarianos foram baptizados "pitagóricos", por analogia com o filósofo Pitágoras e seus seguidores que, no século VI antes de Cristo, se abstinham de comer carne. Os Pitagóricos originais seguiam uma dieta vegetariana por razões éticas nutricionais. De acordo com Ovídeo, poeta romano, Pitágoras disse: «Enquanto os homens continuarem a ser os cruéis destruidores das formas de vida (mais baixas), não conhecerão a saúde nem a paz. Enquanto os homens chacinarem e massacrarem animais, eles continuarão a se matar entre si. De facto, aquele que semeia o assassínio e a dor, não poderá colher a alegria e o amor.»

Os Gnósticos eram, também, maioritariamente vegetarianos, por razões espirituais. Eles acreditavam que, ao comer animais, estariam ‘agarrando’ o seu corpo (que eles acreditavam ser um mal criado pelo Demiurgo) a este mundo, porque estariam consumindo centelhas divinas e, assim, pecando.

Na Índia actual, os vegetarianos (maioritariamente lacto-vegetarianos), constituem mais de 70% dos vegetarianos de todo o mundo. Cerca de 30 – 40 % da população é vegetariana, enquanto que menos de 30% da população come carne regularmente.

No século 20, a popularidade do vegetarianismo cresceu continuamente no mundo Ocidental, em consequência de preocupações económicas, ambientais, éticas e nutricionais. Estatísticas dos EUA concluíram que cerca de 2,8 % dos adultos não come nenhum tipo de carne (aves, peixe, etc.). No Reino Unido, quantificaram-se cerca de 6 % de aderentes ao vegetarianismo.



Os vegetarianos são uns hiper-sensíveis exagerados?
Todos os seres vivos dotados de um sistema nervoso (simples ou complexo) sentem dor e sofrem perante a perspectiva de lhes ser retirada a vida. Quando compramos a carne no supermercado, já desmembrada, desossada, fatiada e embalada, nem pensamos no animal que a forneceu, nem nos sofrimentos por que passou (nomeadamente nos instantes que antecederam a sua morte…). Quantos de nós seriam efectivamente capazes de matar uma animal para se alimentarem dele em seguida?



Os vegetarianos são mais fracos do que os que se alimentam essencialmente de carne?
Os vegetarianos dispõem, regra geral, de menos gordura no corpo, aparentando um físico mais seco. Tal facto não significa que a força e a energia disponíveis sejam inferiores: as proteínas e o ferro existem em diversos alimentos para além da carne e os hidratos de carbono (nomeadamente presentes em cereais) fornecem a energia necessária para todo o tipo de tarefas.
Os vegetarianos estão tão sujeitos a carências alimentares como os não vegetarianos: o nosso leque de escolhas deverá ser o mais variado e fresco possível, por forma a proporcionar os elementos necessários ao equilíbrio do nosso corpo (e alma…).

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